Como o capital de giro pode salvar o seu negócio

No fim de 2017, o empresário paulista Roberto Celidonio Lemos da Silva precisava de recursos para melhorar a operação de sua rede de lanchonetes. Ele queria mudar a comunicação visual das lojas, ampliar os estoques e ter uma folga financeira que o ajudasse nas negociações com fornecedores. Inaugurada em 2011 no MorumbiShopping, em São Paulo, a primeira unidade do grupo Piadina Romagnola já não trazia os resultados financeiros esperados. A crise econômica dos últimos anos trouxe uma série de dificuldades, e Silva não tinha dinheiro suficiente para revigorar o seu projeto de vida.

Mas havia uma solução. “Recorri ao financiamento de capital de giro do BNDES e os 150 000 reais que consegui me deram fôlego para seguir em frente”, conta o executivo. O empréstimo, que será pago em um período de três anos, surtiu efeitos imediatos. “Com a mudança no visual da loja e a operação mais dinâmica, aumentei o faturamento em 20%”, diz. Ou seja, Silva não só melhorou seus processos como usou o capital de giro para alavancar a performance financeira.

Capital de giro é essencial em qualquer tipo de negócio e ainda mais indispensável em empresas de pequeno porte. É ele que permite o pagamento sem atrasos das despesas do dia a dia, incluindo salários e impostos, a compra de matéria-prima, a manutenção dos estoques em níveis seguros e até o financiamento dos clientes (nas vendas a prazo). Em resumo: ele financia a continuidade das operações, garantindo a saúde financeira da empresa.

Boa gestão do capital

Apesar de o Brasil ser um dos países mais empreendedores do mundo, é também um dos recordistas em índices de mortalidade das empresas. Segundo dados do IBGE, divulgados em 2017 na pesquisa Demografia das Empresas, de cada dez negócios abertos, seis fecham antes de completar cinco anos de existência. Uma das razões, de acordo com um estudo realizado em 2016 pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), é a escassez de crédito para capital de giro, o que provoca impactos tão danosos para o empreendimento quanto a carga tributária elevada e eventuais quedas do consumo.

A boa gestão do capital de giro, portanto, pode evitar que uma empresa quebre, mesmo aquelas nascidas a partir de grandes ideias ou que já contam com uma clientela cativa. Mas como gerenciar esses recursos?

Segundo o Sebrae, rigorosos controles financeiros são indispensáveis. Eles devem estar ancorados em cinco ações principais:

1) controle diário de caixa (registro de todas as entradas e saídas de dinheiro);

2) controle bancário (acompanhamento de depósitos, saques e saldo remanescente);

3) controle de vendas (se elas estão dentro das metas);

4) controle de contas a receber e a pagar (projeções precisas de tudo que vai entrar e sair do caixa);

5) controle de estoques (quantidade e valor de cada item).

Para simplificar: o empresário precisa saber exatamente quanto dinheiro tem disponível – e se o valor é suficiente para a manutenção do negócio.

Se houver algum desequilíbrio entre os critérios apresentados acima, é hora de buscar o financiamento do capital de giro. O BNDES oferece linha de crédito com condições que variam conforme o porte do cliente e com as melhores taxas do mercado. O empreendedor tem até 60 meses para pagar e ainda pode contar com até 24 meses de carência, período suficiente para garantir o respiro financeiro de que a empresa necessita.